Dermatologistas alertam que a radiação UVA continua atingindo a pele mesmo em dias nublados no inverno
Com a chegada dos meses mais frios, é comum que muita gente relaxe em um dos passos mais importantes do cuidado com a pele: o uso diário do protetor solar. A lógica parece fazer sentido à primeira vista, já que o sol aparenta ser mais fraco e as queimaduras solares ficam menos frequentes. Só que dermatologistas reforçam que essa é uma das ideias mais equivocadas sobre fotoproteção, e que abandonar o filtro solar no inverno pode custar caro para a saúde da pele no médio e no longo prazo.
A diferença entre radiação UVA e UVB
A explicação está na forma como a radiação ultravioleta se comporta ao longo do ano. A incidência da radiação UVB, responsável pelas queimaduras solares mais perceptíveis, de fato diminui durante o inverno. Já a radiação UVA permanece praticamente constante em todas as estações e consegue atravessar nuvens e até vidros de janelas, atingindo a pele mesmo em dias fechados ou para quem passa boa parte do tempo dentro de casa ou do carro.
Esse tipo de radiação age de forma silenciosa: penetra profundamente na pele e acelera a degradação de colágeno e elastina, favorecendo o surgimento de rugas, manchas e perda de firmeza. Segundo dados citados pela Sociedade Canadense de Dermatologia, cerca de 90% do envelhecimento visível da pele está relacionado aos efeitos cumulativos da exposição solar ao longo da vida, o que reforça por que o filtro solar precisa ser tratado como cuidado diário, e não sazonal.
Outros hábitos que pesam no inverno
Além do protetor solar, o inverno traz outros desafios para a barreira cutânea. Banhos quentes e demorados, tão convidativos nessa época do ano, removem parte da camada lipídica natural da pele, aquela fina película de gordura que funciona como escudo protetor contra a perda de água. Sem essa proteção, a pele fica mais suscetível ao ressecamento e a irritações.
O ar mais seco típico do período também contribui para esse quadro. A baixa umidade acelera a perda de água pela pele, o que pode causar xerodermia, descamação, coceira e piora de condições já existentes, como dermatite atópica, psoríase e rosácea. Idosos e crianças costumam ser os grupos mais sensíveis a esses efeitos, já que têm uma barreira cutânea naturalmente mais frágil.
Como ajustar a rotina de cuidados
Diante desse cenário, dermatologistas recomendam pequenos ajustes na rotina para atravessar o inverno com a pele protegida. Trocar sabonetes muito adstringentes por versões mais suaves ajuda a preservar os óleos essenciais da pele. Reforçar a hidratação logo após o banho, com produtos que contenham ativos como niacinamida, glicerina e pantenol, também auxilia a reter água nas camadas mais superficiais e devolve conforto ao longo do dia.
Vale ainda evitar banhos muito quentes e prolongados, optar por hidratantes de textura mais rica quando a pele estiver muito ressecada e manter uma boa ingestão de água ao longo do dia, já que a hidratação da pele também depende de hábitos internos, não apenas de produtos aplicados topicamente.
Por fim, a recomendação mais repetida pelos especialistas continua sendo a mesma: escolher um protetor solar de amplo espectro, capaz de proteger contra os raios UVA e UVB, e aplicá-lo diariamente, independentemente da temperatura, da nebulosidade ou da estação do ano. Pessoas com melasma, rosácea, histórico de câncer de pele ou que realizam procedimentos dermatológicos precisam redobrar essa atenção, já que a exposição acumulada ocorre todos os dias, mesmo sem sensação de calor.
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