Pai ausente: O que o lugar vazio provoca no filho, segundo Taiza Tosatt Eleoterio

Vincent Armont
Por Vincent Armont 4 Views
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Taiza Tosatt Eleoterio

Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, examina que a ausência do pai deixa na criança um espaço que ela tenta preencher com as próprias explicações. Sem entender por que ele não está, o filho pode imaginar causas, sentir culpa ou criar uma imagem idealizada de quem não aparece. 

Cada família vive essa ausência de um jeito, e nem toda falta tem o mesmo peso. Entender o que muda para a criança ajuda os adultos a acolher a saudade, a raiva e as dúvidas, sem julgar o filho nem a mãe.

O lugar vazio que a criança sente

Toda criança nasce em uma história que inclui, ou deveria incluir, as figuras que cuidam dela. Quando uma delas não está presente, a criança percebe, mesmo sem palavras. Pode notar o vazio nos aniversários, nas reuniões da escola, nos passeios em que os colegas aparecem acompanhados.

Esse vazio, explica Taiza Tosatt Eleoterio, não depende de a criança conhecer o pai ou não. Ele aparece como uma pergunta que ela carrega, e que costuma ganhar forma de saudade, de curiosidade ou de raiva.

Ausência física e ausência afetiva

Nem toda ausência é de quem mora longe. Há pais que dividem a casa, mas estão sempre ocupados, distraídos ou indisponíveis para ouvir. Para a criança, a falta de atenção pode doer tanto quanto a distância física, porque o que ela busca é presença, e não apenas companhia.

Do mesmo modo, há pais que vivem longe e mantêm contato regular, o que ajuda a criança a sentir que continua importando. O que pesa, no fim, é a qualidade da relação e a previsibilidade do cuidado.

O que a criança faz com a falta?

Sem informações claras, a criança preenche as lacunas. Algumas se perguntam se fizeram algo errado, outras criam uma imagem perfeita do pai ausente, e outras se fecham para não sentir. Todas essas respostas são tentativas de dar sentido a algo que dói.

Taiza Tosatt Eleoterio sinaliza que a culpa costuma aparecer com mais frequência do que os adultos imaginam. A criança, que ainda vê o mundo a partir de si, tende a concluir que a ausência do pai tem a ver com ela.

O papel da mãe, dos avós e de outros adultos de referência

A mãe costuma ser a principal referência de cuidado, mas não precisa ocupar sozinha todos os lugares. Outros adultos podem oferecer presença, escuta e modelos de afeto. Os avós trazem história e acolhimento, os tios e padrinhos acompanham a rotina, os professores reconhecem a criança fora de casa, e os vizinhos e amigos da família fazem parte da rede de apoio.

Essa rede não substitui o pai, ressalta Taiza Tosatt Eleoterio, mas ajuda a criança a sentir que não está só e que há quem se importe com ela. Para a mãe, saber que pode contar com esse apoio também alivia a sobrecarga.

Quando o filho pergunta pelo pai

Mais cedo ou mais tarde, a criança pergunta. Nesse momento, responder com honestidade e de acordo com a idade evita que ela invente explicações piores do que a realidade. Não é preciso contar tudo de uma vez, mas é importante não mentir nem prometer o que não depende de quem responde.

Falar do pai sem acusar nem idealizar, indica Taiza Tosatt Eleoterio, permite que a criança tenha um lugar seguro para sentir o que sente. Dizer que a saudade e a raiva são sentimentos possíveis ajuda a mostrar que ela pode falar sobre isso.

Presença se constrói com quem está por perto

A ausência do pai aparece como uma experiência que mexe com a criança de formas diferentes, mas que pode ser acolhida. O que mais ajuda é a presença de quem está, a verdade dita com cuidado e a certeza de que a criança não é responsável pelo que aconteceu.

Taiza Tosatt Eleoterio reitera que o vínculo da criança com os adultos que cuidam dela é a base da sua segurança emocional. Quando a família reconhece a falta e oferece afeto constante, o lugar vazio deixa de ser o centro da história e passa a conviver com outros lugares cheios de cuidado.

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