Uma obra sustentável exige decisões técnicas desde o início, não apenas boas intenções durante a execução. Conforme ressalta o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, com atuação na indústria de artefatos de cimento, a sustentabilidade na construção depende de planejamento, escolha criteriosa de materiais, redução de desperdícios e controle rigoroso dos impactos gerados no canteiro.
Quando esses pontos são ignorados, a obra tende a consumir mais recursos, gerar mais resíduos, aumentar custos e entregar um resultado com menor durabilidade. Pensando nisso, a seguir, abordaremos quais são os erros que comprometem a sustentabilidade de um projeto e como evitá-los.
Por que uma obra deixa de ser sustentável?
Uma obra deixa de ser sustentável quando o projeto não considera o ciclo completo da construção. Segundo o Eng. Valderci Malagosini Machado, isso inclui a origem dos materiais, o consumo de água e energia, a logística de entrega, o descarte de resíduos e a manutenção futura do imóvel. Portanto, não basta usar um item ecológico isolado se o restante do processo continua marcado por desperdício, improviso e baixa eficiência.
Assim sendo, muitos problemas surgem porque a sustentabilidade ainda é tratada como um complemento, e não como parte da estratégia técnica. Esse erro faz com que decisões importantes sejam tomadas tarde demais, quando já existem compras feitas, cronogramas apertados e soluções improvisadas no canteiro.
Como o desperdício compromete uma obra sustentável?
O desperdício é um dos erros mais comuns em qualquer obra. Ele aparece no excesso de compra, no armazenamento inadequado, em cortes mal planejados, em retrabalhos e na falta de controle sobre o uso dos insumos. De acordo com o diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, Eng. Valderci Malagosini Machado, além de elevar o custo final, esse problema aumenta o volume de resíduos e reduz a eficiência da construção.
Em muitos casos, o desperdício não ocorre por falta de material adequado, mas por ausência de planejamento executivo. Medições imprecisas, projetos incompletos e baixa integração entre equipes geram perdas que poderiam ser evitadas. Ou seja, uma obra mais sustentável começa com compatibilização técnica, orçamento realista e controle diário do que entra e sai do canteiro.
Quais erros no descarte de resíduos geram impactos ambientais?
O descarte incorreto de resíduos compromete diretamente a imagem, a legalidade e a responsabilidade ambiental da obra. Como informa o Eng. Valderci Malagosini Machado, entulho misturado, sobras de tinta, embalagens, madeira, metais e resíduos contaminantes não devem receber o mesmo destino.
Quando tudo é descartado sem triagem, a construção perde oportunidades de reaproveitamento, reciclagem e destinação adequada. Esse erro também pode gerar custos adicionais, autuações e problemas com vizinhos ou órgãos fiscalizadores. Logo, para evitar esse cenário, a gestão de resíduos precisa começar antes da primeira etapa de execução. Entre as práticas mais importantes, estão:
- Separação por tipo de resíduo: facilita a reciclagem, reduz contaminações e melhora a organização do canteiro.
- Contratação de destino regularizado: evita descarte clandestino e garante rastreabilidade dos materiais retirados.
- Reaproveitamento interno: permite reutilizar madeira, blocos, sobras de argamassa e outros insumos sempre que houver segurança técnica.
- Controle documental: registra volumes, transportadores e locais de destinação, fortalecendo a gestão ambiental.

Essas medidas tornam a obra mais eficiente e reduzem impactos que muitas vezes passam despercebidos. Além disso, ajudam a transformar a sustentabilidade em processo mensurável, e não apenas em discurso.
Escolher materiais sem critério reduz a durabilidade?
A escolha de materiais sem avaliação técnica é outro erro frequente. Muitas decisões se baseiam apenas no menor preço imediato, sem analisar desempenho, manutenção, origem, resistência, vida útil e adequação ao uso. Como resultado, a obra pode exigir reparos precoces, substituições constantes e maior consumo de recursos ao longo dos anos.
Aliás, um material sustentável não é apenas aquele associado a algum apelo ambiental. O diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, Eng. Valderci Malagosini Machado, demonstra que ele também precisa atender bem à função prevista, resistir às condições de uso e contribuir para a durabilidade do conjunto. Isto posto, em uma construção, a baixa durabilidade também representa desperdício, porque antecipa reformas e aumenta o impacto acumulado da edificação.
A sustentabilidade depende de gestão técnica
Uma obra se torna menos sustentável quando desperdício, descarte incorreto, materiais sem critério e baixa durabilidade deixam de ser tratados como riscos centrais. Esses erros não afetam apenas o meio ambiente. Eles também elevam custos, reduzem desempenho, aumentam retrabalho e comprometem o valor da construção no longo prazo.
Portanto, construir de modo sustentável exige método, responsabilidade e visão técnica. Ao integrar projeto, orçamento, execução e manutenção futura, a obra deixa de depender de soluções pontuais e passa a operar com eficiência real. No final, esse cuidado fortalece a qualidade da edificação, reduz impactos e torna a construção mais coerente com as exigências atuais.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

