Cemitérios e território: O lugar da memória no desenho das cidades contemporâneas

Muntt Jocen
By Muntt Jocen 13 Views
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Tiago Oliva Schietti discute o papel dos cemitérios no território das cidades contemporâneas.

Segundo Tiago Oliva Schietti, o crescimento das cidades, a pressão sobre o uso do solo e as transformações sociais têm colocado os cemitérios no centro das discussões sobre planejamento urbano. Por muito tempo, esses espaços foram pensados de forma isolada, como áreas afastadas da dinâmica urbana. 

Pensar o futuro dos cemitérios dentro do planejamento urbano é lidar com questões que envolvem mobilidade, meio ambiente, uso racional do solo, cultura e memória coletiva. Em um cenário de cidades cada vez mais densas, a forma como esses espaços são planejados e geridos influencia diretamente a qualidade de vida urbana e a sustentabilidade dos serviços funerários. Ao longo deste texto, exploraremos como essas variáveis se articulam no contexto das cidades contemporâneas.

Cemitérios como parte da estrutura urbana

Os cemitérios fazem parte da infraestrutura urbana tanto quanto parques, equipamentos públicos e áreas institucionais, como observa Tiago Oliva Schietti. Eles ocupam grandes extensões de terra, demandam acessos, manutenção e integração com o entorno. Ignorar essa realidade pode gerar conflitos urbanos, ambientais e sociais ao longo do tempo.

No planejamento urbano contemporâneo, cresce a compreensão de que cemitérios precisam ser pensados de forma articulada com o crescimento da cidade. Isso envolve localização adequada, acessibilidade, compatibilidade com o zoneamento urbano e respeito às características ambientais da região. Quando bem integrados, esses espaços deixam de ser vistos como obstáculos e passam a cumprir funções sociais mais amplas.

Por que o planejamento urbano é decisivo para o futuro dos cemitérios?

O planejamento urbano define como a cidade cresce, se organiza e utiliza seus espaços. Sem diretrizes claras, os cemitérios tendem a enfrentar problemas como falta de áreas disponíveis, conflitos com áreas residenciais e dificuldades de expansão ou adaptação a novos modelos funerários.

Memória e território urbano analisados por Tiago Oliva Schietti.
Memória e território urbano analisados por Tiago Oliva Schietti.

Além disso, a ausência de planejamento compromete a gestão de longo prazo. Cemitérios implantados sem visão futura acabam saturados rapidamente, exigindo soluções emergenciais que nem sempre são sustentáveis. Pensar o planejamento urbano de forma integrada é, portanto, essencial para garantir a continuidade dos serviços funerários e o equilíbrio da cidade.

Elementos essenciais no planejamento urbano dos cemitérios

Um planejamento urbano eficiente para cemitérios deve considerar aspectos técnicos, sociais e ambientais de forma integrada. Essa abordagem amplia a vida útil dos espaços e reduz conflitos com a cidade ao redor.

Entre os principais elementos a serem considerados, destacam-se:

  • Localização compatível com o crescimento urbano;
  • Integração com o sistema viário e transporte público;
  • Respeito às normas ambientais e ao uso do solo;
  • Planejamento de longo prazo para ocupação das áreas;
  • Flexibilidade para diferentes modelos funerários;
  • Inserção paisagística e convivência com o entorno urbano.

Planejamento urbano e sustentabilidade dos cemitérios

A sustentabilidade é um dos pontos centrais quando se discute o futuro dos cemitérios no planejamento urbano, assim como evidencia Tiago Oliva Schietti. O uso racional do solo, a proteção de recursos naturais e a redução de impactos ambientais são desafios permanentes, especialmente em áreas urbanas consolidadas.

Cemitérios planejados de forma sustentável tendem a adotar soluções que equilibram função social e responsabilidade ambiental. Isso inclui controle do uso do espaço, manejo adequado do solo e integração com áreas verdes, transformando esses locais em ambientes que dialogam com a cidade e contribuem para o equilíbrio urbano.

A relação entre cemitérios, cidade e memória coletiva

Além da função operacional, os cemitérios desempenham papel simbólico na cidade. Na visão de Tiago Oliva Schietti, eles preservam a memória coletiva e refletem valores culturais e históricos da sociedade. O planejamento urbano precisa reconhecer essa dimensão, evitando tratar esses espaços apenas como áreas técnicas.

Quando inseridos de forma adequada no tecido urbano, os cemitérios podem se tornar locais de contemplação, memória e identidade cultural. Essa abordagem reforça o vínculo entre cidade e população, promovendo respeito e valorização desses espaços ao longo do tempo.

O futuro dos cemitérios passa pelo planejamento urbano

Conforme explica Tiago Oliva Schietti, o futuro dos cemitérios está diretamente ligado à forma como as cidades se planejam hoje. Integrar esses espaços ao planejamento urbano é reconhecer sua importância social, cultural e ambiental dentro da dinâmica urbana contemporânea.

Ao pensar os cemitérios como parte viva da cidade, o planejamento urbano contribui para soluções mais sustentáveis, organizadas e humanas. Dessa forma, garante-se não apenas a continuidade dos serviços funerários, mas também o respeito à memória coletiva e ao equilíbrio das cidades no longo prazo.

Autor: Muntt Jocen

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