Vidro eletrocrômico: Daugliesi Giacomasi Souza destaca quando a janela decide sozinha a hora de escurecer

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 28 Views
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Daugliesi Giacomasi Souza

O desenvolvimento acelerado de tecnologias residenciais já eliminou, para alguns projetos, um item considerado básico há décadas: a cortina. Basta um toque, um comando de voz ou um aplicativo para que o vidro eletrocrômico passe de transparente a completamente opaco em questão de segundos, tecnologia que já integra o repertório de referências acompanhadas por Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor. Ainda em fase inicial de adoção no Brasil, o material já se consolidou em projetos corporativos, hospitalares e residenciais de alto padrão em outros países, reduzindo entre 20% e 30% o consumo de energia com climatização e iluminação artificial. Vamos entender como funciona essa tecnologia, o que ela substitui na prática e por que o Brasil ainda caminha devagar nessa adoção.

Como funciona a tecnologia por trás do vidro que escurece sozinho?

Existem hoje três tecnologias principais de vidro inteligente disponíveis no mercado: cristal líquido, eletrocrômica e dispositivo de partículas suspensas, cada uma com variação de custo por metro quadrado e velocidade de resposta diferente entre si. O vidro eletrocrômico especificamente recebe uma corrente elétrica de baixíssima tensão que altera a disposição das partículas na camada interna do material, permitindo bloquear até 99,5% da luz recebida quando ativado no modo opaco.

Essa mudança acontece de forma quase instantânea, e Daugliesi Giacomasi Souza relata que a discrição da tecnologia impressiona até profissionais acostumados a lidar com automação residencial mais tradicional. Diferente de persianas motorizadas, que ainda dependem de peças móveis sujeitas a desgaste mecânico ao longo dos anos, o vidro eletrocrômico não possui partes que se movem fisicamente, o que tende a reduzir a necessidade de manutenção corretiva no médio prazo.

Adeus, cortina pesada: o que essa mudança substitui na prática?

Conforme sustenta Daugliesi Giacomasi Souza, o principal apelo prático dessa tecnologia está em eliminar cortinas pesadas e persianas empoeiradas justamente em ambientes com grandes panos de vidro, onde a vista para o exterior costuma ser tratada como elemento central do projeto arquitetônico. Fachadas de vidro que antes exigiam solução têxtil complexa para garantir privacidade em determinados horários passam a resolver essa necessidade com um simples comando, sem qualquer elemento adicional visível sobre o vidro.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Escritórios de arquitetura já recomendam considerar essa infraestrutura ainda na fase de projeto elétrico e de forro, evitando reformas destrutivas para adicionar fiação e comandos depois que a obra estiver concluída. Ambientes que tratam a vista externa como protagonista da composição, como quartos com vista para o mar ou salas voltadas para jardins internos, se beneficiam especialmente dessa solução, que preserva a transparência do vidro sempre que a privacidade não for prioridade naquele momento.

Quanto isso economiza em energia?

O controle dinâmico da entrada de luz e calor solar representa a principal vantagem econômica do vidro eletrocrômico, reduzindo a dependência de ar-condicionado em horários de forte incidência solar sem escurecer permanentemente o ambiente, como aconteceria com uma película fixa tradicional. Edifícios que já adotaram a tecnologia em larga escala, como o The Edge, em Amsterdã, hoje referência internacional em eficiência energética, utilizam o vidro inteligente justamente para equilibrar conforto térmico e consumo elétrico ao longo de todo o dia.

Na compreensão de Daugliesi Giacomasi Souza, essa economia de energia se torna ainda mais relevante à medida que tarifas elétricas sobem e certificações ambientais passam a valorizar diretamente esse tipo de solução tecnológica em avaliações de sustentabilidade predial. Empresas do setor já desenvolvem versões híbridas do material, combinando a tecnologia eletrocrômica a filmes fotovoltaicos capazes de gerar energia solar diretamente na superfície do próprio vidro.

Por que o Brasil ainda está no início dessa adoção?

Segundo menciona Daugliesi Giacomasi Souza, o custo de produção e instalação ainda representa a principal barreira para a popularização do vidro eletrocrômico no mercado residencial brasileiro, concentrando sua presença, por enquanto, em projetos corporativos, hospitalares e residências de alto padrão. A indústria automotiva, que já utiliza tecnologia semelhante em tetos panorâmicos de veículos de marcas como BMW e Mercedes-Benz, ajuda a pressionar os custos de produção para baixo, efeito que tende a beneficiar também o mercado da construção civil nos próximos anos.

Europa e América do Norte lideram a adoção global dessa tecnologia, impulsionadas por regulamentações mais rígidas de eficiência energética e por um mercado de projetos de luxo mais consolidado do que o brasileiro. À medida que os custos de fabricação continuam caindo e a tecnologia se populariza em outros mercados, a expectativa entre profissionais do setor é que o vidro eletrocrômico deixe de ser exclusividade de projetos excepcionais e passe a integrar, gradualmente, reformas residenciais de padrão médio no Brasil.

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