Profissionalização da gestão ganha força entre empresas familiares, nota Rodrigo Gonçalves Pimentel 

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 21 Views
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Rodrigo Gonçalves Pimentel

O movimento de profissionalização da gestão, antes restrito a grandes grupos econômicos, tem se espalhado entre empresas familiares de diferentes portes nos últimos anos. Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado, observa essa tendência como reflexo de um amadurecimento mais amplo na forma como famílias empresárias brasileiras encaram a gestão de seus negócios. Esse movimento, ainda em curso, tende a se consolidar conforme mais famílias percebem os benefícios concretos de separar competência técnica de vínculo familiar na condução das operações.

Por que a profissionalização da gestão ganhou força nos últimos anos?

O aumento da concorrência em praticamente todos os setores da economia tem pressionado empresas familiares a adotar práticas de gestão mais estruturadas, sob risco de perder espaço para negócios com processos decisórios mais ágeis e tecnicamente embasados. Famílias que antes tratavam a gestão informal como suficiente para sustentar o crescimento do negócio passaram a perceber os limites desse modelo diante de mercados cada vez mais competitivos e regulados. Esse contexto ampliou a percepção de que competência técnica, e não apenas vínculo familiar, se tornou um fator determinante para a sobrevivência de negócios ao longo do tempo.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Setores que mais avançam na profissionalização

Rodrigo Gonçalves Pimentel aponta que setores com maior exposição a variações de mercado e exigências regulatórias mais complexas, como indústria, varejo de grande porte e serviços financeiros, costumam liderar o movimento de profissionalização entre empresas familiares. Nesses segmentos, a complexidade das decisões estratégicas dificulta a manutenção de modelos de gestão concentrados exclusivamente em membros da família, o que acelera a busca por profissionais especializados em posições de liderança, sobretudo em áreas técnicas como finanças, operações e tecnologia.

Contratação de executivos externos como parte da tendência

Rodrigo Gonçalves Pimentel evidencia que a contratação de executivos externos para posições de comando, mesmo em empresas que mantêm controle familiar do capital, tornou-se prática cada vez mais comum entre negócios de médio e grande porte. Esse movimento reflete o crescente reconhecimento de que competência técnica para conduzir operações complexas nem sempre está disponível entre os membros da família, especialmente em momentos de expansão ou diversificação do negócio. Empresas que adotam essa prática tendem a preservar o controle familiar sobre decisões estratégicas relevantes, ao mesmo tempo em que profissionalizam a condução operacional cotidiana, criando uma divisão mais clara entre quem detém a propriedade e quem efetivamente administra o dia a dia da operação.

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Negócios menores também vêm se profissionalizando? 

Sim, ainda que de forma gradual e adaptada à realidade de cada negócio. Pequenas empresas familiares, embora enfrentem restrições orçamentárias para contratar executivos externos em tempo integral, têm buscado alternativas como consultoria especializada, mentoria empresarial e adoção de ferramentas de gestão antes restritas a negócios maiores. Essa adaptação permite que empresas menores incorporem elementos de profissionalização sem comprometer sua estrutura de custos, ainda que de forma mais gradual do que a observada em negócios de maior porte, priorizando mudanças pontuais capazes de gerar resultado prático sem exigir investimento imediato de grande escala.

Papel das novas gerações nesse movimento

As gerações mais jovens, muitas vezes com formação acadêmica específica em gestão e experiência em outras empresas antes de assumir posições no negócio familiar, têm contribuído significativamente para acelerar esse processo de profissionalização. Pondera Rodrigo Gonçalves Pimentel que essas novas gerações costumam trazer referências de mercado que questionam práticas herdadas dos fundadores, propondo mudanças que, embora nem sempre bem recebidas de imediato, tendem a fortalecer a competitividade do negócio no médio e longo prazo. O contraste entre gerações, quando bem conduzido, costuma funcionar como catalisador para a modernização de processos internos, sobretudo quando ambos os lados encontram espaço para negociar prioridades sem romper a relação de confiança construída ao longo dos anos.

A influência das novas gerações se torna ainda mais relevante quando assumem posições de liderança já com experiência prévia fora do ambiente familiar, trazendo consigo práticas testadas em outros contextos que podem ser adaptadas à realidade específica do negócio da família.

O que essa tendência sinaliza para o futuro das empresas familiares?

O avanço da profissionalização entre empresas familiares brasileiras sinaliza uma tendência de convergência entre negócios familiares e não familiares no que diz respeito a práticas de gestão, ainda que a estrutura de propriedade continue distinta. Empresas que se anteciparem a essa tendência, investindo em profissionalização antes de serem pressionadas por dificuldades concretas, tendem a apresentar maior capacidade de adaptação diante de mudanças de mercado e de processos de sucessão futuros.

Rodrigo Gonçalves Pimentel avalia que essa tendência deve se consolidar nos próximos anos, à medida que mais famílias reconhecem que profissionalizar a gestão não significa abrir mão do controle familiar sobre o negócio, mas sim criar condições mais sólidas para que esse controle se mantenha ao longo de múltiplas gerações, em vez de se enfraquecer diante da complexidade crescente dos mercados em que essas empresas atuam. Empresas que tratam esse processo como investimento de longo prazo, e não como custo imediato, tendem a colher os resultados justamente nos momentos em que mais precisam de solidez institucional para sustentar seu crescimento.

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